Minicurso: Ideologia, Liberdade e Escola Sem Partido na educação brasileira

TÍTULO: “Ideologia, Liberdade e Escola Sem Partido na educação brasileira”.

INFORMAÇÃO: Apresentado no SEPESQ 2018 (Seminário de Pesquisa Estudantil em Letras), de 19 a 21 de novembro de 2018. Universidade Federal da Bahia (UFBA).

RESUMO: O minicurso discutirá a questão do direcionamento ideológico e político partidário na educação brasileira e os efeitos disso sobre a profunda crise educacional e intelectual pela qual o país tem passado. Para tanto, Continue lendo “Minicurso: Ideologia, Liberdade e Escola Sem Partido na educação brasileira”

Minicurso: Teoria da Gramática e Dialetologia: uma Introdução

TÍTULO: “Teoria da Gramática e Dialetologia: uma Introdução”.

INFORMAÇÕES: Apresentado no V CIDS – Congresso Internacional de Dialetologia e Sociolinguística, de 11 a 14 de setembro de 2018. Universidade Federal da Bahia (UFBA).

RESUMO: O minicurso trata da interação entre o arcabouço teórico da gramática gerativa, compreendida como uma teoria das gramáticas das línguas humanas, e as ciências da variação linguística, a dialetologia e a sociolinguística. O modelo de Princípios e Parâmetros permitiu  Continue lendo “Minicurso: Teoria da Gramática e Dialetologia: uma Introdução”

Notas sobre o resultado da eleição

Algumas notas sobre o resultado eleitoral de ontem:

1) É normal ficar triste, decepcionado, cabisbaixo por torcer muito para um candidato e vê-lo perder. Mas não é normal em absolutamente nada o desespero, a completa falta de noção e a reação desproporcional diante do fato de que, após ganhar quatro eleições SEGUIDAS, o seu partido não conseguiu ganhar a quinta. Há gente adulta chorando mais do que diante da perda de um pai ou mãe. Há adulta tendo crise diante de cenas de crianças brincando de polícia e ladrão. Há gente cogitando suicídio! Há gente propondo suicídio coletivo!!!

Isso não é discordância. Isso é histeria gerada por conviver e/ou admirar loucos. Não estou usando uma figura de linguagem. Falo de uma situação patológica de fato. Há estudos psiquiátricos sobre como a infiltração, em organizações e em movimentos sociais, de pessoas com patologias psicológicas graves, incluindo psicopatia, espalha pelas demais pessoas uma situação de histeria e irrealidade. 

2) A melhor maneira de superar os traumas (os reais e os imaginários) do regime militar é justamente chegarmos a um grau de maturidade em que seja possível ter um presidente de origem militar e um mandato normal (bom ou ruim, mas normal), em que as liberdades sejam preservadas. Qualquer pessoa normal deveria torcer por isso agora.

3) Mas há aqueles que, além de não torcerem por isso, são incapazes de aceitar se isso ocorrer. Há gente que vai entrar em crise e se tornar ainda mais histérica se nenhuma previsão apocalíptica se cumprir. Sabe por quê? Porque o receio de alguns é real, mas o receio de muitos outros é criado artificialmente, devido à repetição infinita de slogans. Eles não falam o que acreditam, mas passam a acreditar naquilo que repetem. Eles forjaram parte da sua identidade pessoal com base na ideia de que são o monopólio da bondade. Alguns deles sonham em poder se gabar de que foram vítimas de uma ditadura. Eles desejam um ditadura, mesmo que apenas um simulacro de ditadura, para poderem se sentir heróis. Quando não encontram uma possibilidade real de viverem esse sonho, projetam isso sobre qualquer situação banal. Uma mera discordância em uma conversa vira uma ato de “agressão”. Para essas pessoas, deparar-se com um governo normal (bom ou ruim) não é apenas uma constatação difícil. Seria uma ruptura traumática de sua identidade pessoal. Meu conselho: não se deixem cair nessa armadilha mental feita para imbecilizar as pessoas.

“Grammatica Elementar do Kimbundo” – Héli Chatelain (1889)

A Grammatica Elementar do Kimbundo ou Língua de Angola foi escrita pelo linguista e missionário cristão de origem suíça Héli Chatelain. Foi publicana em 1889. Foi escrita em português e conta com um prefácio, intitulado “Introduction”, em inglês redigido por Robert Needham Cust, autor de A Sketch of the Modern Languages of Africa, cujos dois volumes também estão disponibilizados aqui no site.

O kimbundo é uma língua da família bantu, considerada uma das mais faladas da família, que forneceu vários empréstimos lexicais ao português brasileiro e ao português angolano.

 

TEXTO EM PDF: Temos duas versões de pdf disponíveis dessa obra.

Grammatica Elementar do Kimbundo ou Língua de Angola: Versão 1 | Versão 2.

“Ilha das Flores: depois que a sessão acabou”

O vídeo abaixo fala do outro lado do famoso documentário brasileiro “Ilha das Flores”. O vídeo mostra o ponto de vista da população do local, inclusive de várias pessoas que aparecem no filme original, sobre o filme e sobre a situação retratada nele.

 

Atividade: Esse vídeo faz parte de uma atividade pontuada sobre honestidade intelectual, para as turmas de LET-A11 da UFBA. A segunda parte da atividade consiste em assistir a esse vídeo e fazer um resumo manuscrito de até uma página sobre o seu conteúdo. A primeira parte da ativade está neste link.

Vídeo: “Ilha das Flores”

[Atenção: Não deixe de assistir o vídeo “Ilha das Flores: depois que a sessão acabou”, que mostra o ponto de vista dos moradores do local sobre o filme.]

O filme “Ilha das Flores” foi feito em 1989. Hoje, em 2018, talvez o filme pareça bastante chato para as plateias modernas, mas ele fez um grande sucesso. Além dos prêmios de cinema que recebeu, durante os anos 90 e o começo dos anos 2000, uma quantidade enorme de professores utilizou o filme em salas de aulas, exibindo-os para os alunos, o que multiplicou o seu impacto. Talvez você nunca tenha visto esse filme, mas é bem provável que alguns de seus professores ou dos professores deles tenham visto. E isso influenciou o modo de vários futuros educadores verem o mundo. E isso indiretamente influenciou a educação que você recebeu.

 

Atividade: Esse vídeo faz parte de uma atividade pontuada sobre honestidade intelectual, para as turmas de LET-A11 da UFBA. A primeira parte da atividade consiste em assistir a esse vídeo e fazer um resumo manuscrito de até uma página sobre o seu conteúdo. A segunda parte da ativade está neste link.

“The Classificatory Stage” – Max Müller (1862)

The Classificatory Stage” é a quarta palestra da série sobre a ciência da linguagem, apresentada por Max Müller na Royal Institution of Great Britain, publicada no primeiro volume de Lectures on the Science of Language em 1862.

Nela, Müller continua a discorrer sobre sua visão quanto aos estágios históricos de desenvolvimento da lingüística. O “estágio classificatório”, segundo o autor, seria a segunda fase (de um total de três) das ciências naturais em geral e da ciência da linguagem, de modo específico. Esse segundo estágio seria marcado pelas tentativas iniciais de classificar as línguas em grupos por suas semelhanças e pelas especulações sobre a origem das línguas; envolve também o levantamento da diversidade das línguas do globo, em grande parte em decorrência do conceito de humanidade trazido pelo cristianismo (ausente nas civilizações pagãs e na filosofia grega) e dos esforços missionários.

TEXTO EM PDF: Lecture IV: The Classificatory Stage.

Para as demais capítulos desse livro e demais obras de Müller, clique aqui.

“A gramática não ‘estabelece’ a norma culta” – equívocos do livro “Preconceito Linguístico”

No famoso livreto Preconceito Linguístico: o que é, como se faz, Marcos Bagno critica os gramáticos por dizerem que “A Gramática normativa estabelece a norma culta“. Segundo Bagno, seria um absurdo dizer algo desse tipo, pois…

“não é a gramática normativa que “estabelece” a norma culta. A norma culta simplesmente existe como tal. A tarefa de uma gramática seria, isso sim, definir, identificar e localizar os falantes cultos, coletar a língua usada por eles e descrever essa língua de forma clara, objetiva e com critérios teóricos e metodológicos coerentes.” (Preconceito linguístico, 2007, p. 65)

No entanto, essa crítica de Bagno simplesmente não tem fundamento. O que Bagno faz é apenas se negar a reconhecer um uso bastante comum que o verbo “estabelecer” possui. Notem os exemplos abaixo:

Ex. 1: “Jacobus Cornelius Kapteyn estabeleceu as dimensões da nossa galáxia…” (Fonte: aqui)

Ex. 2: “Mustier (…) estabeleceu as dimensões da fraude depois de interrogar Kerviel durante toda a noite de sábado.” (Fonte: aqui)

Ninguém jamais imaginaria que essas frases significam que as dimensões da galáxia ou da fraude inexistiam antes de Kapteyn ou antes do interrogatório de Kerviel, tendo sido criadas por estes. O significado de “estabelecer” nesses exemplos não é o de “criar”, mas o “determinar” (no sentido de “descobrir”) ou “organizar e formalizar explicitamente” alguma informação.

O mesmo ocorre na frase criticada por Bagno acima. Quando os gramáticos dizem que “a gramática normativa estabelece a língua“, eles já estão dizendo exatamente aquilo que Bagno alega, contra eles, que seria a visão correta sobre o tema: a gramática define e identifica os usuários da linguagem culta e descreve os usos dessa linguagem de modo claro e objetivo.

É muito estranho que alguém como Bagno, que afirma celebrar a diversidade e variação lingüística, se irrite tanto com aquilo que é simplesmente um dos significados bastante comuns de um verbo como “estabelecer”.

Em suma, não há razão, portanto, na crítica feita por Bagno. O motivo real de seua crítica não é algum erro presente na declaração dos gramáticos, mas sim uma divergência que há entre Bagno e estes com relação a quais devem ser os critérios para identificar e descrever a linguagem culta . Para os gramáticos, a linguagem culta a basear a norma linguística deve ser encontrada na alta literatura, naqueles autores e obras cujo valor sobrevive ao teste do tempo. Para Bagno, ao contrário, a linguagem culta a servir de modelo de norma linguística deve ser encontrada no que ele chama de “língua culta real”, que é a linguagem das pessoas tidas como cultas na atualidade, o que, na prática, é simplesmente a linguagem de hoje das classes altas, ou seja, os modismos passageiros dos ricos e endinheirados, que estejam em posições mais altas da escala social. Por algum motivo estranho, Bagno considera que sua própria abordagem é mais democrática e mais popular e que, portanto, deve substituir completamente a abordagem “elitista e discriminatória” dos gramáticos. Mas isso é um tema para outro texto.

“Arte Menor e Arte Maior” – Donato (350 d.C.) – tradução e introdução

A obra Ars Grammatica foi escrita pelo gramático latino Élio Donato por volta do ano de 350 d.C.. É composta por duas partes, conhecidas como Arte Menor e Arte Maior, muitas vezes tomadas como obras independentes.

Trazemos aqui uma tradução dessa obra ao português, feita por Lucas Consolin Dezotti. A tradução é acompanhada por notas e por um estudo introdutório e foi parte da dissertação de mestrado de Dezotti.

TEXTO EM PDF: Arte menor e Arte maior de Donato: tradução, anotação e estudo introdutório.